sexta-feira, 28 de outubro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
DIPLOMA DE JORNALISMO
Em primeiro lugar nada substitui o talento. E jornalismo atualmente carece de talento. O que existe por aí não passa de um bando de macacos treinados no famoso quem-o que- quando- onde - como. E pagos a preço de banana...
E cá entre nós: o nível tanto do corpo docente como o discente é aterrador. Alunos semi-alfabetizados aprendendo(?) com professores sem o devido preparo e/ou bagagem. Então, prá que diploma? Diploma não é garantia de nada!
Além disso, se for para continuar a fazer o que se faz hoje em dia, salvo honrosas exceções, não há necessidade nem de diploma do nível médio. As honrosas exceções são de pessoas cultas, gente com opiniões fortes e inconformistas.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
REFLEXÕES SOBRE OS NOVOS CAMINHOS DO JORNALISMO
Entre leitor/jornal existe uma cumplicidade não declarada, um contrato de credibilidade: o sujeito compra/lê/assiste determinado jornal porque se reconhece nêle. Porque o veículo atende as suas expectativas. Donde se conclui que o discurso da objetividade/imparcialidade serve apenas de justificativa para o leitor enquanto ser social. O veículo expressa o que ele pensa e oferece a ele o anteparo da credibilidade.
Enquanto meio de comunicação os jornais e revistas noticiosas estão em flagrante desvantagem em relação aos que se adaptaram e exploram novas linguagens. O cinema, por exemplo, continua enchendo as salas de exibição e vendendo DVDs. Excetuando-se cinéfilos, os mais jovens não gostam da narrativa arrastada dos filmes clássicos. Gostam é da linguagem dinâmica e acelerada das novas produções.
Os jornais estão apenas preocupados em manter um público conquistado há décadas atrás e a renovação não está acontecendo, ou se acontece não atinge o número dos que vão ficando pelo caminho.
E onde fica a inovação?
Uma das poucas notícias de que temos conhecimento vem da França: em 1995 começou a ser editado um jornal destinado ao público de 10~14 anos, o Mon Quotidien. Além do formato inovador, o editor convoca leitores duas vezes por semana para discussão de pauta. Alavancados no sucesso do jornal foram lançados mais dois títulos: Petit Quotidien para crianças de 7~10 anos e L'Actu para jovens entre 14~17 anos. Juntos atingem uma tiragem de 165.000 exemplares, todos assinantes pois não há venda em banca por causa dos custos de distribuição.
O governo francês, preocupado com a queda de leitores de jornais, lançou um programa de distribuição gratuita de jornais nas escolas mas o resultado foi pífio. O número de assinaturas decorrentes da ação foi irrisória.
O Mon Quotidien executou a mesma ação de marketing, distribuindo gratuitamente o jornal nas escolas e angariou suas assinaturas. Os jovens liam nas escolas e pediam para os pais assinarem. Qual pai se recusa a assinar um jornal a pedido do filho?
Ora, os jovens simplesmente não se identificam com os velhos jornais! Querem algo novo, que espelhe os novos tempos, que fale a sua linguagem, que atenda a seus interesses.
Está na hora dos jornais reconhecerem que pararam no tempo e voltar seu olhar para o que está acontecendo ao seu redor, das faculdades de jornalismo olharem para o futuro e investir em pesquisa de novos formatos e linguagens. O apego ao passado é o caminho para a derrocada.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
RADICAL CHIC E O VELHO JORNALISMO
" Ei! Venha cá! É assim que as pessoas vivem agora - bem assim como estou mostrando a você! Pode assustar, incomodar, deliciar você ou despertar seu desprezo ou fazer você rir... Mas é assim que é! Está tudo bem aqui! Você não vai se chatear! Dê uma olhada!"
Pois é, Tom Wolfe escreveu isso em 1963, exatamente há 48 anos atrás!
E o marasmo está instalado entre nós, no jornalismo como um todo, não importando a plataforma.
sábado, 20 de agosto de 2011
JORNALISMO: ENSINO ANACRÔNICO
quarta-feira, 30 de março de 2011
O JORNALISMO E A DITADURA DA RAPIDEZ
Na ânsia pela primazia e consequente reconhecimento, o jornalismo está sacrificando sua principal moeda de troca junto ao consumidor: a credibilidade. Não são poucos os casos de matérias que não são checadas como deveriam e acabam tendo que ser desmentidas em seguida. Ou a distorção de fatos para que determinados acontecimentos se transformem em notícia.
O efeito perverso dessa corrida desenfreada para dar a notícia em primeiro lugar, principalmente na internet, é que o pobre do leitor já não sabe em quem ou o que acreditar.
Será que o furo é tão importante assim?
Vejamos o caso dos jornais impressos. Hoje, um grande percentual da circulação dos grandes jornais é via assinatura, então o furo, a princípio só afetaria a venda em bancas, onde as primeiras páginas estariam expostas. Todavia, sabemos que as bancas hoje são lojas de conveniência que vendem de tudo e prestam serviços, como fax e xerox. O espaço limitado, na maioria das vezes, nem permite a exposição adequada dos jornais. Além disso, o leitor fiel de um determinado jornal, ainda que compre o concorrente por causa do furo, não deixará de comprar seu jornal preferido. Ou, se o fizer, será apenas nesse determinado dia. Excetuando-se profissionais que dependem de várias fontes de informação, o leitor comum tem o hábito de comprar o jornal que, de alguma maneira, espelhe seu modo de pensar, seus valores. Um leitor conservador nunca vai comprar um jornal liberal. E vice-versa.
No caso da internet, que é onde ocorrem as maiores barbaridades, não se justifica soltar um notícia em primeira mão sem antes checá-la devidamente, pois não há evidências de que os acessos ao site aumentem em decorrência dos furos que ela deu antes dos outros.
Tenho minhas dúvidas de que alguém acesse todos os sites de notícia online, toda hora. Ainda que haja um maníaco por notícia que o faça, quando ele acessar o primeiro site e ler todas as notícias que lhe interessar, se passarão, no mínimo, 10 minutos até que ele acesse o próximo site, e assim por diante. Então, a menos que ele registre quem deu o quê, a que hora, nunca vai saber quem deu primeiro.
A menos que eu esteja redondamente enganado, o leitor quer informação com conteúdo, checado e rechecado. Com todos os elementos que contextualizem o fato. E não faz a menor diferença se soubermos 5 ou 10 minutos antes. Queremos é informação de qualidade.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
EVANDRO TEIXEIRA - INSTANTÂNEOS DA REALIDADE
São imagens marcantes, que cobrem todos os espectros da vida: presidentes, o papa João Paulo II, Leila Diniz sendo fotografada por um lambe-lambe, Garrincha vestindo a camisa do Botafogo, enchentes, a queda de Allende no Chile, a morte de Neruda, a missa da Candelária, a passeata dos cem mil, os sobreviventes de Canudos, e outras personalidades e personagens comuns.
Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, Evandro, desde o início da carreira mostrou um olhar diferenciado, carregado de conteúdo e informação. A ponto de nos mostrar o inusitado em situações pouco exploradas por outros profissionais, a exemplo da foto da libélula pousada sobre um fuzil, durante discurso de Costa e Silva.
Como fruto do reconhecimento de seu trabalho, é um dos dois únicos brasileiros, junto com Sebastião Salgado, a figurar na Enciclopédia Suiça de Fotografia.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
JORNALISMO INDEPENDENTE
O advento dos blogs propiciou a muita gente que tem um texto legal e pendores jornalísticos um espaço para colocar seus escritos. Mas reportagem, principalmente investigativa, demanda tempo e dinheiro o que, convenhamos, é o que menos se tem disponível. Alie-se a isso a falta de acesso a fontes confiáveis e teremos um panorama bastante aproximado das dificuldades que os blogueiros tem de se dedicar à informação.
Do lado do jornalismo profissional temos uma situação bem diferente: eles tem fontes confiáveis, hoje quase não tem oportunidade de realizar reportagem investigativa e, para não perder o emprego, são obrigados a publicar o que os patrões querem. Ainda que não concordem, nem com o teor, nem com o enfoque. Ou são obrigados a se calar sobre determinados assuntos.
Os jornais/rádios de pequenas localidades, por questões econômicas, também tem dificuldades em conseguir matérias , muitas vezes se contentando em reproduzir o que veêm na internet, o que sabemos que nem sempre é confiável e checado.
O público, por sua vez, não obtém do jornalismo tudo o que poderia receber. Falta, por exemplo, ao leitor com menor grau de instrução a pormenorização da informação, ou seja, em quantos centavos vai pesar no seu transporte o superfaturamento na construção de uma avenida. Está faltando trocar em miúdos a informação. Além disso, falta profundidade nos textos. E isso não significa usar termos técnicos ou sofisticação no linguajar. Estamos falando de conteúdo. Hoje é quase que só lead.
Uma possível solução, que aglutinaria todas essas questões, seria uma fundação (ou ONG), bancada por diversas entidades, mas totalmente independente, que contaria com um equipe de jornalistas sérios e competentes realizando reportagens as mais diversas e, funcionando como uma agencia noticiosa, disponibilizaria as informações completas a qualquer interessado, que por sua vez a publicaria ou divulgaria em seu meio, citando naturalmente a fonte.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
CREDIBILIDADE!?
Embora estudante de jornalismo, como discípulo de Kotler, tenho uma visão diferenciada do negócio.
Para começo de conversa, toda essa discussão atual sobre os novos caminhos do jornalismo, se vai sobreviver o formato papel ou não, é uma grande bobagem.
Como já disse Theodore Levitt nos anos sessenta, no seu famoso texto Miopia em marketing, o negócio das empresas é informação e não jornal. Então, não importa o formato: as empresas devem ganhar dinheiro com o produto informação. Como, já é uma outra questão que deve ser adequadamente estudada.
Voltando à questão da credibilidade, embora seja extensamente vendida pelos meios de comunicação, na verdade é apenas um rótulo usado para dourar a pílula: as pessoas compram os jornais que espelham seu universo cognitivo. Os que corroboram suas idéias, seus anseios, seus valores. Que mostram os mesmos fatos, mas da maneira como os leitores/espectadores os enxergam do seu ponto de vista.Um conservador nunca compra um jornal de posicionamento liberal, e vice versa.
E isso vale para todas as midias.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
QUANDO FOMOS CORAJOSOS...
Embora também esteja trilhando o mesmo caminho dos outros veículos, salvo honrosas exceções (como o claro posicionamento editorial a favor de Serra), o jornal O Estado de S. Paulo, em setembro de 1972, através de seu diretor Ruy Mesquita, deu mostras do que deve ser o posicionamento da imprensa perante a censura.
A Policia Federal enviou o aviso abaixo ao jornal:
"Da ordem do senhor ministro da Justiça, fica expressamente proibida a publicação de: notícias,comentários, entrevistas ou critérios de qualquer natureza, abertura política ou democratização ou assuntos correlatos, anistia a cassados ou revisão de seus processos, críticas, comentários ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira; ou problema sucessório e suasimplicações. As ordens acima transmitidas atingem quaisquer pessoas, inclusive se já foram ministros de Estado ou ocuparam altas funções ou posições em quaisquer atividades públicas.
Fica igualmente proibida pelo senhor ministro da Justiça a entrevista de Roberto Campos."
Segue abaixo a carta enviada, no mesmo dia ao ministro da Justiça, Alfredo Buzaid:
Ao tomar conhecimento dessas ordens emanadas de V.S. o meu sentimento foi de profunda humilhação e vergonha. Senti vergonha, senhor ministro, pelo Brasil, degradado à condição de uma republiqueta de banana ou de um Uganda qualquer por um governo que acaba de perder a compostura.
Parece incrível que os que decretam hoje o ostracismo forçado dos próprios companheiros de revolução que ocuparam ontem cargos em que se encontram hoje não cogitem cinco minutos do julgamento da história. O senhor, senhor ministro, deixará de sê-lo um dia. Todos que
estão no poder dele baixarão um dia e então, senhor ministro, como aconteceu na Alemanha de
Hitler, na Itália de Mussolini, ou na Rússia de Stálin, o Brasil ficará sabendo a verdadeira histó-ria desse período em que a revolução de 64 abandonou os rumos traçados pelo seu maior líder,o marechal Castello Branco, para enveredar pelos rumos do caudilhismo militar que já está forade moda, inclusive nas repúblicas hispano-americanas.
Cheio de vergonha por ver meu país degradado a esta condição, subscrevo-me humilhado
Ruy Mesquita
Diretor do Jornal da Tarde e de O Estado de S. Paulo
Cópias ao ministro Leitão de Abreu
Cópias aos líderes da Arena e MDB na Câmara e no Senado
São Paulo, 19 de setembro de 1972"
Serve também de alerta, nesse momento em que estamos em vias de eleger a candidata de um presidente que já deu mostras de querer exercer censura nos meios de comunicação.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O QUE MUDAM SÃO AS MOSCAS!
Esta semana, a Universidade Santa Cecília - Unisanta promoveu a 12a. Semana Ceciliana de Arte e Comunicação. As oficinas e palestras se destinaram aos alunos dos cursos de jornalismo, multimídia e propaganda e publicidade.
As palestras, de profissionais das diversas áreas de atuação do jornalismo, tiveram como principal tônica o jornalista multimídia. Trocando em miúdos: o profissional tem que saber fazer de tudo e, ainda por cima, receber uma salário de fome, salvo honrosas exceções.
Me espanta o fato de que esse peixe tem sido vendido à classe de uma maneira tão eficaz, pelos detendores dos veículos, que os próprios jornalistas não se apercebem da manipulação a que estão sendo submetidos. A ponto de revenderem o peixe como se ele fosse bom para a classe.
Ora, todos temos obrigações e contas a pagar e, portanto, rebelar-se talvez não seja o caso. Porém dourar a pílula também não o é.
Como temos memória curta, nos esquecemos que este mesmo peixe já nos foi vendido no passado, só que sob outro nome. Antigamente o termo era polivalente.
Aliás, esse termo (multimídia) eu, particularmente, considero uma bobagem em todos os sentidos. Em primeiro lugar até os animais são multimídia: cães rosnam e urinam para demarcar território, aves se utilizam do canto e da dança para acasalar, e vai por aí afora. Em segundo lugar, tirando uns poucos gênios de plantão, o resto não consegue fazer todas as coisas muito bem. Isso, se conseguir fazer uma coisa muito bem. Porque, a bem da verdade, especializações decorrem da facilidade que temos de fazer uma coisa melhor que as outras. Ou, como diz a minha vizinha:- Cada um no seu quadrado!
Os profissionais de jornalismo digital estão se arrogando uma importância que na verdade não tem. É óbvio que temos que investir nessa mídia e torná-la rentável.Entretanto, todos nós temos conhecimento do percentual da população que tem acesso à internet. Em contrapartida, as pesquisas de consumo realizadas indicam que, atualmente, as classes C e D são o grande público alvo de quem quer escala comercial.
Outra questão que se apresenta é a qualificação dos acessos ao jornalismo digital: o que essas pessoas estão lendo? E até que ponto, justamente em função do conteúdo acessado, o meio é formador de opinião? O que eu vejo e ouço na classe é alarmante: estudantes de jornalismo que só acessam a internet para entrar em sites pornográficos, colunas de fofocas, saber o que as celebridades estão fazendo, etc.. E, teóricamente, estamos falando do créme de la créme. De pessoas que podem pagar perto de dois salários mínimos só para estudar. Imagine-se então o restante da população.
Estamos passando por um momento sui generis, em que existem pessoas que nem passaram pelo analógico, pularam etapas e aterrisaram no digital.Já vi pessoas em lan houses que simplesmente não sabiam ler e escrever! E como é moda, vão aos magazines e compram computadores a prestação. A Casas Bahia, do grupo Pão de Açucar, é um dos maiores vendedores de informática do Brasil. Qual o conteúdo acessado por esse público? Outro dado importante é que posse não significa acesso: segundo dados recentes, existem mais de 1milhão e 800 mil pessoas com um pc em casa sem conexão de banda larga.
Outra coisa alardeada aos quatro ventos é o impacto dessa tecnologia em nossas vidas e profissões. Se pararmos para pensar, chegaremos à conclusão que mudanças sempre houveram e a humanidade sobreviveu a todas elas. E o impacto das transformações, a meu modo de ver não é maior que a invenção da roda ou a revolução industrial. Alguns profissionais estão simplesmente fazendo o que sempre se fez: tentando assombrar o interlocutor, mostrando o fogo a quem não o conhece!
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O SANTO GRAAL DO JORNALISMO
O valor mais prezado pelo jornalismo de uma maneira geral é, sem sombra de dúvida, a verdade. Apregoada aos quatro cantos, serve até de mote para algumas publicações, que se auto-intitulam isentas e imparciais.
Mas, sob um olhar mais apurado, sempre fica evidente a inclinação, ou do veículo, ou do profissional, sôbre determinadas questões. Naturalmente, a procura da isenção é sempre louvável, senão imprescindível.
Na barafunda em que se encontra a imprensa atual, acuada de um lado pelo "políticamente correto", e de outro lado pela insegurança gerada pelas ações judiciais cada vez mais frequentes e onerosas, as notícias passam ao largo do que se entende por verdade. Isso, sem levarmos em conta que, as influências mercadológicas e de caráter pessoal/cognitivo sempre se interpõe no material publicado.
Acrescente-se a esse cenário a confusão semântica e filosófica sobre esta delicada questão. O que é a verdade? É possível a verdade? Em que circunstancias ela é possível?
Diversas escolas filosóficas se debruçaram sobre a questão e, óbviamente, não se chega a um consenso. Em seu trabalho mais conhecido, A Crítica da Razão Pura, Kant afirma que a razão humana é impotente para conhecer o fundo das coisas. Tudo o que vemos ou conhecemos, ou seja os fenômenos, é captado pelos nosso sentidos, sendo portanto afetado pelo nosso universo cognitivo.
No Discurso sobre o Método, Descartes se foca na ciência. Seu objetivo era estabelecer um método universal, com rigor matemático e, através de cadeias de razão, se chegar a verdade. Todavia, nas Meditações, Descartes diz: "Duvidemos dos sentidos, uma vez que eles frequentemente nos enganam, pois nunca tenho certeza de estar sonhando ou de estar desperto". Donde se conclui que o que é provado científicamente é verdade, mas o demais assuntos são passíveis de crítica.
Com o advento da fotografia, chegou-se a pensar que, como ela reproduzia exatamente o objeto, a verdade seria possível. Mas, a prática mostrou que não era bem assim. O fotógrafo sempre interfere na imagem. Seja ao editar a foto no momento do clique, seja pelo seu "olhar", carregado de experiências e conhecimentos passados.
Nesse momento, em que vivemos um período de transição, com um verdadeiro tsunami de informações, que nos bombardeiam incessantemente, devemos nos focar na ética. Pessoal e, por conseguinte, profissional. Sem a ingenuidade de querer lutar contra o sistema ou contra a própria formação, mas com um posicionamento inquestionável perante as nossas convicções.
Idealismo à parte, há que se convir que um profissional que não obedeça aos sinais de trânsito, quando tem que chegar na redação antes do fechamento; que omite ou frauda o imposto de renda; que "colou" para obter o diploma; nunca deveria escrever sobre corrupção.
A procura da verdade nunca deverá ser abandonada. A isenção deverá ser sempre um objetivo do bom jornalista. Sómente com um comportamento ético irrepreensível será possível um jornalismo de que nos orgulhemos.














